"EXTRAIR-SE"
Do todo extraio um pouco: um rouco medo, um parco espanto, um lácio espaço. Um braço que não serve de laço.
Um sentimento que agarra o mundo em longos abraços, aguardando que deles saiam uma fina compaixão.
Do muito retiro quase nada; palavras que não se proferem, amores que não se processam, lembranças que não se posterizam.
Mas fica em mim um gosto de presença, alimentado de espasmos, transmutado de sentidos, transformando o nada em luz.
Um desejo sem medidas, uma dádiva sem expiração. Estamos em tudo e mesmo assim não estamos em lugar algum.
Escrito por Luciano às 00:14:10
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