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PAPIROS DE ALEXANDRIA - UOL Blog --

FIO DA VIDA
Quero estar por aqui enquanto o tempo não resolve me devorar, tomando de mim os meus dias mais surreais. Quero permanecer por aqui, enquanto as horas não avançam, me impedindo de sentir o sol, a chuva, os filhos e as folhas nascerem.
Permitam-me esperar a primeira estrela que nasce no céu, que vela meu sono esperançoso de querer, no dia seguinte, as coisas melhorar.
Quero estar neste mesmo lugar, para poder continuar sendo o que sou – a medida exata dos meus sonhos, a tentativa sublime de amar o que há para ser amado. Sou do amor, nasci para o amor e a ele jamais digo não.
Desejo ainda, mais que tudo, sorrir de quase todas as situações que a vida me apresenta, porque quando esse tempo que, ora avança, resolver tomar pelas mãos os meus caminhos, eu creia que foi bom ter vivido bem mais do que sempre ousei imaginar.


Escrito por Luciano às 10:07:35
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Velha Canção Nos Teus Ouvidos

E se os teus medos te atomentam durante o sono,
E se o momento consciente te abandona,
E se permaneces sorrindo ou chorando em qualquer canto,
E se o que desejas é aquilo que não se encontra;

E se o que eu te escrevo já não diz as mesmas coisas,
E se apagaste do teu corpo as marcas tímidas (as minhas marcas tímidas),
E se eu te encontro nos meus versos durante a noite,
E se eu morrer por esperar a minha sina;

E se tuas mãos já não suportam a despedida,
E de tão tristes, elas te fazem uma ferida,
E se eu cometo a injustiça de te amar mais um instante,
E se eu esquecer que já vivi uma bela vida;

E se os teus olhos te entregam a qualquer pranto,
E se as palavras mais te ferem do que afagam,
E quando resolveres escapar embriagada,
Amarga a vida, encontra a morte - é outro engano.

Mas se eu pudesse beber cada veneno,
Mas se eu pulasse daquele prédio que me chama,
Se eu escolhesse os teus momentos que não vejo,
Se me esperasses mais uma vez em tua cama....

Ainda assim, serias pedra, eu quarto escuro.
Mesmo assim, seríamos iguais.



Escrito por Luciano às 08:57:42
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Ele não quer mais quase nada. Quer apenas voltar para casa e refazer o caminho oposto ao que agora o seu pensamento teima em seguir. Sabe que a memória está o levando de volta àquela vila, no mês de junho de 194...
Por alguns instantes ele coloca os pés naquela paisagem familiar. É capaz de ouvir a música se enevoando pelo espaço, ressoando também em seu corpo. Sentado num canto da sala, subitamente vê um vulto entrar pela porta principal do casarão.
Com passadas irregulares e lentas ela se aproxima dele, enxuga a sua testa suada e toca o lábio em seu pescoço com gosto de sal. Ela se esconde no mais perfeito olhar, mas também carrega nesses olhos a vida que um dia resolveu dar-lhe a preço de jóia.
Num gesto firme, mas desajeitado, ele passa a mão direita por trás da fina cintura que ela possui. Imaginando ter voltado ao seu país de origem (onde sempre se sentia protegida), solta o peso do quadril para que ele possa sustentá-la. Pronto! Ele não possui mais o direito de afastar-se dela... Não pode mais separar seus corpos unidos, mesmo tendo suas vidas tão distantes. Dançam o final da canção que tocava naquela grafonola valvulada. Mas seus corpos se descolam e ela se afasta. Sorri para ele e desaparece pela porta, num silêncio absoluto.
Hoje, parado sobre a ponte, já perto de casa, ele imagina toda essa cena, repetidas vezes. Vasculha a memória procurando descobrir se esse instante realmente aconteceu, se verdadeiramente aquela mulher entrou pela porta da sala naquele dia, atraída pela música, pelo seu corpo de homem novo - hoje um palácio de solidão.
Ao sair da ponte deixou que o silêncio tomasse conta do restante do caminho.
Um percurso refeito tantas vezes, alterado apenas nesse dia em que, sob a dor do arrependimento, constatou tê-la prendido para sempre naquele ano que não pode mais trazer de volta.


Escrito por Luciano às 09:04:09
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Je te déteste pour tous ces moments
"Vou beijar você agora", ela o alertou. Como se quisesse provocar nele alguma reação que a impedisse de realizar um último feito antes de uma partida mortificante. Como se ela desejasse que ele a protegesse de si mesmo, dos sentimentos que certamente passariam a ocupar a sua cabeça após esse beijo indesejado. Ela o amava, mas não suportaria separar-se dele. Não de um modo tão injusto.
Mal sabia que acabava de conhecer o homem que, anos depois, trataria de arrancá-la de uma vida preenchida por futilidades. Começava a entender o mistério de amar alguém que jamais pertenceu ao seu círculo de relacionamentos.
Seus olhos, que antes tendiam a captar os homens por pontos-de-vista bastante peculiares, agora se acostumavam a enxergar um indivíduo que destoava de qualquer definição. Um verdadeiro homem, na essência da palavra, que a protegia de todos os riscos que habitavam o espaço fora de seus corpos unidos.
Ela bem sabe que, ao amá-lo, nunca mais responderá a esse sentimento em primeira pessoa...


Escrito por Luciano às 11:15:36
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“Quem dera eu pudesse compreender os segredos e mistérios dessa vida”, para que desse modo eu fosse capaz de ser um instrumento de amor e não de separação.
Ah se eu não precisasse me preocupar com o que não existe e em seus ouvidos poder segredar somente o necessário, sussurrar carinhosamente pelo menos o reflexo do amor que tenho por você.
Meu consolo é ter compreendido que devo separar aquilo que faz e o que não faz parte de mim, pois se ora me ocupo com o que é passagem, verei apenas a miragem do que deveria ser duradouro, enfim.


Escrito por Luciano às 11:55:02
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Tento descrevê-la. Ergo o dedo indicador e desenho no ar o seu corpo. Com imprecisos movimentos traço no vazio a forma desejada e até então desconhecida de uma mulher que me impede de passar um dia sem recordar sua existência. Busco na memória os riscos, as expressões talhadas na pele, a aparência ou qualquer outro sinal que traga o seu rosto até mim.
Ela possui a incrível capacidade de me deixar atônito em sua presença. Seus gestos me deixam cada vez mais perturbado, pois por mais que eu tente, jamais conseguirei extrair de sua feição qualquer resposta que busco encontrar sob sua guarda.
Sabendo disso ela deixa para trás resquícios do que anda sentindo por mim ao longo dos dias para que, subentendidos entre uma frase e outra, me permitam aos poucos descobrir as peças que formarão o grande quebra-cabeça que é o seu coração.
Ela expressa uma linguagem que apenas eu sou capaz de entender, como se fôssemos os últimos sobreviventes de um povo dizimado no deserto a conhecer o dialeto do amor. Mas o seu silêncio também me diz coisas que não se encontram em nenhum idioma, que possuem mais sentido que todas as palavras que já ouvi.
Sem qualquer culpa ela se lança ao espaço, descuidada de seus gestos.
 
Sem saber que dessa forma ela brinca comigo também.


Escrito por Luciano às 10:31:31
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Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música
MSN - lucianodeaguiar@hotmail.com



BREVE RESUMO 

LUCIANO VIEIRA - Escritor, Mestre em Literatura e Estudos Culturais, Especialista em Ciências da Linguagem/Estudos Literários. Jornalista e Produtor Cultural. Produzindo textos desde 1994, há 9 anos possui o "PAPIROS".

 

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