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PAPIROS DE ALEXANDRIA - UOL Blog --

 

Tenho para mim, meus amigos, que muitas coisas serão compreendidas num futuro bem próximo, e que essas mesmas coisas serão docemente lembradas quando, sentado, darei gargalhadas em algum ponto de areia com vista para o mar.
Estou quase certo que todos os mistérios da vida, os quais acompanho durante noites não descansadas, nada mais serão que peças separadas de uma bomba, que ajustadas de maneira que completem um circuito, explodirão grandes transformações. Bombas providas de um detonador chamado ousadia.
Creio, contudo, que uma vez encararando as situações rotineiras que compreendem minha existência - por pontos-de-vista jamais imaginados - terei condições de me tornar mais resistente às inusitadas intempéries da vida. E a partir desse ponto, uma vez calando minha voz e abrindo meus ouvidos aos ensinamentos, poderei captar todos os sinais, visíveis e invisíveis, acessíveis a pessoas como eu: seres andantes, que avançam entre os campos para suas repostas encontrar.


Escrito por Luciano às 12:43:10
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Como uma vacina que se aplica no braço, sentiu a pressão que o seu corpo exercia contra o dela e, em instantes depois, ser arrancado de perto, agressivamente. Um encontro quase esquecido, como a marca deixada no braço vacinado que se tornaria menos visível com o passar dos anos.
Ele amava justamente as coisas que, nela, não conseguia modificar, e por conta disso sofria ao deixar escapar de suas mãos qualquer tentativa de controle da situação.
Aos poucos, ele ia perdendo a razão de todas as coisas, e com as mãos trêmulas já não segurava a xícara de café, e nem conseguia disfarçar a ansiedade trazida pela sua presença no meio daquelas pessoas. Ter agora, a poucos metros de distância, alguém que horas antes lhe servia de ungüento e consolo para as dores que sentia, tornava-se algo muito cruel.
Ele já não podia disfarçar tamanha insatisfação ao vê-la reunida com todos, como se ele não estivesse também ali, ao ponto de cogitar provocar alguma forma de constrangimento.
Mas toda tentativa dele de caminhar em sua direção era imediatamente reprovada por ela quando, cautelosamente, olhava seriamente sob a aba do chapéu.
De modo doloroso e implacável, ela já tinha em mãos todas as respostas para findar essa história que um dia pertenceu aos dois. Ela precisava usar a sua frieza incontestável, que chegava a abrir chagas.
Porque ela bem sabe que quando se desligar daquele lugar ela estará também se desligando dele. Para sempre...


Escrito por Luciano às 10:03:34
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LOVE IN TIME OF WAR 

Hoje, passados alguns anos, tento descobrir o que aqueles olhos queriam me dizer. O que significavam naquela época, o que traziam consigo acerca das experiências do mundo. O que, com o auxílio da luz, seus olhos captavam, quais impressões ela guardava para si, o que de fato utilizou ao longo do tempo. O que jamais esqueceu...
Encontrávamos-nos em um tempo de batalhas, confrontando inimigos que vinham de fora e também os que vinham de dentro, seres desconhecidos que em nós nasciam a todo instante. Estávamos perdidos, realmente. Como um soldado que extravia o seu mapa. Completamente perdidos e mergulhados em amor.
Mas as bombas continuavam caindo e quase nada sabíamos do dia que estava prestes a nascer. A idéia era de que, saindo por aquela porta, jamais voltaríamos a nos procurar. Mas ela nunca mais saiu de dentro de mim.


Escrito por Luciano às 09:45:41
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A noite do deserto. Justamente quando toda a espécie de natureza se recolhe é que percebo o encantamento trazido pela ausência de luz. De como o apagar frente aos olhos me revela a mim mesmo e de tal modo me empurra à exposição.
Essa mesma escuridão, que me arranca de qualquer origem, que rasga os mapas, as trilhas ou qualquer outra escusa que me faça seguir ou recuar.
O silencioso espaço do deserto, que agora me separa das nações, das terras estrangeiras, faz de mim um indivíduo dos mundos. E por fim me carrega noite adentro para que eu me confronte comigo e mais ninguém.
Entre os montes erigidos pelos ventos detenho apenas um pensamento: o que trago comigo de deserto? O que deixo para a areia enterrar?


Escrito por Luciano às 09:16:02
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De que me adiantam as palavras se elas não me trazem conforto, se não vêm disfarçadas de cartas de amor, se não traduzem o sentimento mais oportuno e aguardado?
De que me adiantam os gestos de carinho manifestados pelas pessoas que amo se os mesmos já não espero porque não rompem a barreira do silêncio ou da indiferença?
De que valem os meus gritos e as falsas convicções se essas coisas me ludibriam ao descansar em meus braços uma doce-amarga conveniência?
Estou mergulhado no equívoco, na espera de ser aprovado, no anseio de receber o perdão pelos erros cometidos (e por muitas vezes não arrependidos).
Talvez eu não me faça entender por completo (talvez eu não me faça entender de nenhum outro jeito) , mas que esta hora, tão digna e própria, justifique a minha imperativa necessidade de dizer que outra vez padeci em erros e que, por conta disso, quase feneci.


Escrito por Luciano às 21:30:16
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CINEMA PARADOXO

Há os que se amparam nos reflexos da saudade, mas também há os que não se amparam em canto algum. Há os que buscam somente a verdade, mas também existem os que não se comprometem com juízo algum.
Há os que atuam, que tomam partido, que morrem enfrentando sabores e dissabores. Entretanto, é de se esperar os emudecidos de vergonha, os afrouxados da alma, os que carecem de certezas.
Há um rio e entre suas margens há de se escorrer água. Há um peito e entre os seus músculos há de se correr o plasma.
Mas também não estranharia se corações de pedra houvessem - minerais duros onde não corre sangue algum.


Escrito por Luciano às 07:41:06
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Já me fiz incompreensível, enigmático, fugidio, mas hoje não sei como devo me apresentar. Portei-me de modo excêntrico e peculiar, habitando um mundo intrínseco e por lá permanecendo. Já pisei passos largos no passado, já dei saltos ornamentais em direção ao futuro, nunca querendo estar em um mesmo lugar. Mas hoje alterno entre mundos desconexos e indefiníveis.
Quiçá eu também pudesse ser exato, com sentimentos milimetricamente posicionados, ao ponto de eu não me perder entre as palavras, as quais uso para todos despistar.
Se eu te amasse, que então dissesse "eu te amo"; se eu te odiasse, que então dissesse, "foi engano". Mas eu não digo nada.
Uns falam que ando fugindo, outros, que estou adiando o que não deveria protelar. Outros ainda - esses mais acertados - dizem que estou apenas enfrentando a mim mesmo, quando busco uma linguagem cristalina, que me represente e faça de mim um ser compreensível perante às multidões.


Escrito por Luciano às 08:30:35
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SOLICITAÇÃO

Que estas palavras que eu escrevo soterrem qualquer anunciação de minha chegada, que me substituam nas festas, nos grandes salões ou em qualquer lugar que se fizer necessário. Que aos outros os impeçam de ver as rugas que se rusgam em meu rosto, querendo habitar.
Sim, que esta grafia descuidada oculte aos presentes os meus lapsos com a falta de memória - tão lancinantes e vergonhosos - anunciantes de minha fraqueza, que jamais dão asas aos sonhos e fantasias.
Que estas vogais e consoantes misturadas encubram o meu cacoete equivocado do "tentar". Elevada chama que queima, mas não dana. Pois não nasci "quase", não me fiz "se" e nem programei ensaios de última hora.
Com estas palavras, permito até que se ergam estandartes, mas que exultem, sobretudo, o edifício, nunca o construtor.
Por fim, que estes vocábulos articuláveis e ridículos, meu caro leitor, possam abrandar seu coração, uma vez que estas linhas discorridas desvendam, pelo menos, o contorno de alguém que nutre-se somente de amor.


Escrito por Luciano às 08:25:14
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Para isso estou aqui. Para a presença no abismo da ausência., para distinguir destino de coincidência.
Fui desejado, aguardado, concebido. Para que eu pudesse contestar o incontestável, dar de ombros e depois... abraços.
Sim, eu vim para assistir, à gargalhadas, a personificação dos sonhos, as respostas conclusivas das perguntas recorrentes, os mistérios que, antes, corriam a olhos vendados.
Vim para presenciar a ceifa da morte, a subtração das dívidas, a remodelação, nos seios, dessa argamassa "fermentada" chamada vida. Que, enquanto ser pequeno, eu pudesse entender a brevidade e a beleza de um dia ser grande.
"Para que eu, homem, vulgo imortal, pudesse ver a infinitude de um ser chamado Deus - que se fez mortal para me mostrar a finitude de ser homem."


Escrito por Luciano às 09:19:37
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Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música
MSN - lucianodeaguiar@hotmail.com



BREVE RESUMO 

LUCIANO VIEIRA - Escritor, Mestre em Literatura e Estudos Culturais, Especialista em Ciências da Linguagem/Estudos Literários. Jornalista e Produtor Cultural. Produzindo textos desde 1994, há 9 anos possui o "PAPIROS".

 

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