Você está ouvindo: "Al Green - For The Good Times (espere até 20 seg - música toca automaticamente)"

PAPIROS DE ALEXANDRIA - UOL Blog --

MADRUGANDO

Dentes brancos, filhos fortes,

Tantos desejos... Você chega e logo vai embora.

Tenho medo, sinto sorte por saber que você é meu norte.

Venha agora, não vá embora,

Me faça entender o porquê

Dos meus sonhos serem cheios de "você"....

Hoje eu corro, amanhã descanso,

Estou com tempo, quero te ver.

Onde estarás, por que será

Que eu nunca me canso de você...

O meu cabelo desarrumado,

Estou com sono, não quero acordar.

Vem cá, agora, me dá um beijo

Antes de um outro dia começar......



Escrito por Luciano às 08:59:22
[] [envie esta mensagem]



Ela estava bem ali, a me esperar, pronta para responder a todas as perguntas que havia preparado para Deus (ou para alguém mais inteligente que eu).
Estava parada, bem ali, com os cabelos soltos - aptos a voar pelo espaço no primeiro movimento dos ventos. Sorrindo, ela estava me esperando há muito tempo.
Seu olhar dizia bem mais do que eu podia compreender. Ela estava repleta de amor e de sorriso, me abraçava sem me abraçar, me acalmava, só de olhar.
Trazia consigo a serenidade que nunca tive, o perdão que nunca supus merecer, a segunda chance... tantas segundas chances....
O importante é que ela estava bem ali. A olhar o céu coberto de estrelas, a sentir o ar, a terra, o som dos tambores durante a guerra. Ela já estava preparada há muito tempo. Tão enigmática e ao mesmo tempo tão simples, sempre sentindo as mesmas coisas que senti.
Possuíamos o mesmo nó na garganta, as mesmas palavras que não puderam ser ditas, as mãos suadas, os dedos que indicavam sempre o lugar exato da ferida que teimava em não cicatrizar.
Mas depois, de tanto tentar, de tanto buscar, cansar e não fenecer, me espantei, ao suspeitar (mesmo por ora) que havia encontrado, talvez, um norte para o que sempre procurei.


Escrito por Luciano às 18:19:47
[] [envie esta mensagem]



UM PROBLEMA A RESOLVER

Devidamente acomodado, em um banco cor grafite escuro, deixei que os movimentos do ônibus me conduzissem. Uma pausa oportuna para que eu tentasse reestruturar em minha cabeça os recentes espisódios.
 
Interessante é o fato de como pude, há poucas horas, presenciar concretamente a rápida materialização de respostas para algumas questões que trouxe comigo durante uma vida inteira. A espantosa e iminente presença da morte, a fragilidade da alma, a efemeridade de nossa existência diante desse grande enigma chamado vida. Tudo em um curto espaço de tempo, sucedido agora por uma paisagem que me distraía. Carros, árvores, pessoas andando tão tranqüilas que até me despertavam certa inveja.
 
Fechei os olhos e deixei que as cenas presenciadas por mim em instantes anteriores se repetissem, aos poucos, sobre a pupila. Era como se eu estivese assistindo a um grande sucesso do cinema, com direito a pipoca e muita ação. Quase adormeci entre os flashs que iam e vinham.
Assustado, me levantei meio desajeitado e puxei a sineta, indicando que queria descer ao cobrador, com um sinal de positivo. Desci algumas quadras adiante.
 
Deve ter passado uns cinco ou sete minutos, pensei. Parando em um ponto da cidade que inicialmente supunha não conhecer, logo percebi que me encontrava em uma área bastate movimentada e conhecida. Afinal, se não era naquele ponto que poderíamos encontrar grandes concentrações de turistas, onde mais haveria de ser? O ônibus fechou a porta e seguiu o seu itinerário.
Tão logo desci, percorri a larga calçada rumo ao local combinado. Não posso falhar. De cabeça baixa observei que os mosaicos colocados aleatóriamente no chão possuíam o mesmo efeito que as nuvens no céu. Os encaixes das pedras formavam diversos desenhos sem sentido, e quase tive a impressão de ter visto uma com meu nome escrito. Estou ficando maluco, dizia.

Sim, as poucas horas decorridas acabaram por resolver boas perguntas existenciais que acompanharam a humanidade por séculos. Pelo menos por uma ótica inversa, pois naquele exato instante, se eu não tinha as respostas certas para saber quem somos ou de onde viemos, eu entendia, no entanto, as coisas que deveria desconsiderar. Naquele exato instante, sobre o cimento acinzentado, eu não sabia mais de onde tinha acabado de vir, quem era, ou para onde os meus pés estavam me levando. Poderia ganhar um Nobel por isso. Proferi, sorrindo, ironicamente.
                                                                                                                        (CONT...).


Escrito por Luciano às 11:50:56
[] [envie esta mensagem]



Não será como antes

Enquanto eu passava a catraca do ônibus, o cobrador perguntava ao motorista se ele, porventura, teria duas notas de dez para facilitar o meu troco. Sabiamente e com certo desinteresse, o motorista disse: "Se eu tivesse duas notas de dez eu nem teria vindo trabalhar hoje." Conseguindo o dinheiro de uma outra forma e com uma cara de quem queria dizer "você levou todo o meu troco", o cobrador entregou-me as notas e rapidamente me acomodei em um banco próximo à janela para que, finalmente, eu pudesse me acalmar.

Poucas horas antes esta sensação de tranqüilidade e segurança seria um sonho distante. Ficava pensando como havia conseguido me livrar há pouco daquela situação perigosíssima. Aos poucos, fui reorganizando as idéias em minha cabeça. Como consegui sair dessa? Era o que eu me perguntava.

Tentei lembrar de experiências anteriores que pudesse ter vivido, mas nada se comparava ao que eu havia acabado de passar. Estou pronto para qualquer coisa, agora. Mas nada me trazia uma solução mais pragmática para o que haveria de encarar pela frente. Nada mesmo. Agora, apenas uma ligeira labirintite tirava-me a possibilidade de eu me concentrar em algo concreto. Corri o olhar. Recorri às paisagens fora do ônibus.
O dia estava levemente cinza e o que era garoa, prometia virar um temporal.
 
                                                                                     (CONTINUA...).


Escrito por Luciano às 09:41:01
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música
MSN - lucianodeaguiar@hotmail.com



BREVE RESUMO 

LUCIANO VIEIRA - Escritor, Mestre em Literatura e Estudos Culturais, Especialista em Ciências da Linguagem/Estudos Literários. Jornalista e Produtor Cultural. Produzindo textos desde 1994, há 9 anos possui o "PAPIROS".

 

Histórico
01/07/2015 a 31/07/2015
01/09/2013 a 30/09/2013
01/07/2013 a 31/07/2013
01/05/2013 a 31/05/2013
01/12/2012 a 31/12/2012
01/08/2011 a 31/08/2011
01/05/2011 a 31/05/2011
01/03/2011 a 31/03/2011
01/06/2010 a 30/06/2010
01/05/2010 a 31/05/2010
01/04/2010 a 30/04/2010
01/03/2010 a 31/03/2010
01/02/2010 a 28/02/2010
01/01/2010 a 31/01/2010
01/11/2009 a 30/11/2009
01/09/2009 a 30/09/2009
01/08/2009 a 31/08/2009
01/06/2009 a 30/06/2009
01/05/2009 a 31/05/2009
01/04/2009 a 30/04/2009
01/02/2009 a 28/02/2009
01/01/2009 a 31/01/2009
01/12/2008 a 31/12/2008
01/11/2008 a 30/11/2008
01/10/2008 a 31/10/2008
01/09/2008 a 30/09/2008
01/08/2008 a 31/08/2008
01/06/2008 a 30/06/2008
01/05/2008 a 31/05/2008
01/04/2008 a 30/04/2008
01/03/2008 a 31/03/2008
01/01/2008 a 31/01/2008
01/12/2007 a 31/12/2007
01/10/2007 a 31/10/2007
01/09/2007 a 30/09/2007
01/08/2007 a 31/08/2007
01/07/2007 a 31/07/2007
01/06/2007 a 30/06/2007
01/05/2007 a 31/05/2007
01/04/2007 a 30/04/2007
01/03/2007 a 31/03/2007
01/02/2007 a 28/02/2007
01/11/2006 a 30/11/2006
01/10/2006 a 31/10/2006
01/09/2006 a 30/09/2006
01/08/2006 a 31/08/2006
01/07/2006 a 31/07/2006
01/06/2006 a 30/06/2006
01/05/2006 a 31/05/2006
01/04/2006 a 30/04/2006
01/03/2006 a 31/03/2006
01/02/2006 a 28/02/2006


Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Para Ler a Vida
- O Pequeno Milagre
- Blog da Mulher Diferente
- Pensamentos, Devaneios e Fotos
- Maça Envenenada
- Resposta em Branco
- Poesias, músicas, poemas, crônicas, contos...
- De Ponta Cabeça
Enfim Blogamos


BLOG DO GALVÃO Free Image Hosting at www.ImageShack.us
Clique na imagem para mais detalhes