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PAPIROS DE ALEXANDRIA - UOL Blog --

"Maio já está no final.
O que somos nós, afinal
se já não nos vemos mais?
Estamos longe demais,
longe demais.." (Kid Abelha)

P O E M A   DE   A N I V E R S Á R I O

Porque fizeste anos, Bem-Amada, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte...
Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por um homem à sua Amada, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesma.
Quisera dar-te também o mar onde nadei menino, o tranqüilo mar de ilha em que perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima – estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito....
...Ah, pudesse eu dar-te o meu primeiro medo e a minha primeira coragem; o meu primeiro medo à treva e a minha primeira coragem de enfrentá-la, e o primeiro arrepio sentido ao ser tocado de leve pela mão invisível da Morte.
E o que não daria eu para ofertar-te o instante em que, jazente e sozinho no mundo, enquanto soava em prece o cantochão da noite, vi tua forma emergir do meu flanco, e se esforçar, imensa ondina arquejante, para se desprender de mim...
Gostaria de dar-te...aquela madrugada em que, pela primeira vez, as brancas moléculas do papel diante de mim dilataram-se ante o mistério da poesia subitamente incorporada; e dá-Ia com tudo o que nela havia de silencioso e inefável - o pasmo das estrelas, o mudo assombro das casas, o murmúrio místico das árvores a se tocarem sob a Lua.
E também o instante anterior à tua vinda, quando, esperando-te chegar, relembrei-te adolescente naquela mesma cidade em que te reencontrava anos depois; e a certeza que tive, ao te olhar, da fatalidade insigne do nosso encontro, e de que eu estava, de um só golpe, perdido e salvo....

Vinicius de Morais



Escrito por Luciano às 11:09:59
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I n d í c i o s
Na sala de espera do “oculista”, uma canção irônica ao fundo. “Eu não sei parar de te olhar, eu não vou parar de te olhar...”, era o que ela dizia.  Naquele instante, pior que esse sarcasmo ou a minha própria cegueira física, era a impossibilidade de enxergar os fatos mais evidentes da minha vida, coisas que seriam facilmente percebidas por qualquer pessoa no aconchego de um quarto ou entre uma pausa e outra para um café.

“- Sinais”, eu dizia constantemente. “Só podem ser os sinais”. Apenas gostaria de reconhecer com maior clareza esses símbolos que indicariam as melhores alternativas para sair dos labirintos que havia criado ao meu redor. Sinais, que de tão próximos, quase os poderia tocar com as finas pontas dos dedos.

A vida é realmente um jogo de símbolos incógnitos, porém, com uma simetria tão perfeita, que  somos incapazes de perceber a simplicidade de seus propósitos.

Pronto! Agora algo realmente me incomodava mais do que aquela música oportunista que insistia em se tornar coadjuvante dos meus pensamentos. Mais que uma tarde perdida, estava eu sentado naquela sala, à deriva de qualquer socorro. Esperei veementemente que o doutor pudesse surgir do nada e que me salvasse das minhas indagações. “Já fui carrasco de mim mesmo. Muitas vezes”, pensava, quase sussurrando. "Até quando serei ríspido? Quando cairei nos braços da indulgência?"

Voltando pelo caminho de casa, sem pressa, observei a noite chegar, exuberante. Momento oportuno para arquitetar em silêncio algumas poucas suposições.



Escrito por Luciano às 09:07:51
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Talvez eu tivesse pedido demais, bem mais do que você pudesse me conceder. Talvez eu tivesse desejado bem mais do que merecesse, ter mentido prá você, lhe protegendo de mim mesmo.
Talvez eu estivesse à espera do amor fatal, das palavras que não saem por causa de um fôlego que não se tem. Talvez, enfim, eu pousasse sobre você todos os beijos que lhe dei quando não esteve por aqui.
Você conheceu os meus segredos, você conheceu a minha história, você teve nas mãos a chance de fazer o que quisesse... Mas você não fez nada. (E eu tentei fazer tudo...).
Silenciosamente então levo comigo a decisão de seguir o meu caminho avesso às suas vontades, esperando encontrar, sobre a areia da praia, as pegadas que marquei antes de te conhecer.


Escrito por Luciano às 11:26:42
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ACRE, AZEDO, PICANTE

(POR FAVOR, UM ANTIÁCIDO PARA A MINHA PACIÊNCIA)

 

Adeus. Foi essa a palavra. Fria e implacável. Na ausência de outras palavras, o partir transformou-se em silêncio. Apenas um homem observa de longe a porta fechando a passagem para o regresso do amor. Mas o sofrimento traspassou a solidão.

Encerrado em si mesmo, dispersou pensamentos, expulsou sentimentos (não sabia se tratavam-se de ácidos ou ungüentos) - e não estranhou a ausência de auto-piedade.
Sentiu-se vago e vago permaneceu; sentiu-se insólito e insólito continuou sendo. Tentou ainda viver de vida e da vida provar seus sabores. Riscou o chão, alternou entre o frio e o morno, entre o amargo e o sem sal. Respirou quando era pra segurar o fôlego, tossiu quando era pra falar, finalizou quando era para recomeçar... e saiu.

Subverteu todas as regras existentes, tudo o que era definido determinado, restrito. Sentiu frio, sentiu calor, sentiu que não deveria mais nada sentir. Mas seu espírito, habitante de uma fraca matéria, entregou-se, como de costume, aos devaneios. E a vida que se vive intensamente, e o amor que não se reconhece, mesmo que se tente, vêm a lhe abraçar. Vezes por maldade, vezes por compaixão.



Escrito por Luciano às 11:37:05
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Pena que foi mais do que a gente tentou,
Frágil e fugaz como um ato de amor
Dentro do olhar há uma luz que se fez,
Como pra lembrar o limite, talvez...

Quando foi comum, teimo em pensar,
Foi apenas um e sempre será.

Vivo de você enquanto me dá prazer.
Vivo de você...

Fica em seu lugar a sombra que iluminou
Um fio de luar indo por onde eu vou

Pássaro que sai atrás do caçador
Noite que cai como um grito de dor

Quando foi comum foi apenas breve
Fosse eu feliz, seria só mais um!
Um a mais...um a mais...

Vânia de Abreu



Escrito por Luciano às 23:22:22
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Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música
MSN - lucianodeaguiar@hotmail.com



BREVE RESUMO 

LUCIANO VIEIRA - Escritor, Mestre em Literatura e Estudos Culturais, Especialista em Ciências da Linguagem/Estudos Literários. Jornalista e Produtor Cultural. Produzindo textos desde 1994, há 9 anos possui o "PAPIROS".

 

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