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PAPIROS DE ALEXANDRIA - UOL Blog --

O AMOR EM TRÊS ATOS  

 

3º E ÚLTIMO ATO

UN HOMME ET UNE FEMME

(a profecia pronunciada do amor)

Não existia a possibilidade de saber onde começava um e terminava o outro. Nenhum limite entre os corpos que definisse um afastamento, nenhuma concavidade que determinasse uma aresta no espaço. O mesmo espaço que agora testemunhava a troca de olhares e o silêncio entre os dois.

Uma pergunta, tão peculiar, voltou a incomodá-los: como foi possível viver (ou sobreviver) um longe do outro por tantos e espaçosos anos? Não era compreensível o fato de terem levado tanto tempo para se encontrarem, e a partir de então, manifestarem os anseios que, juntos, pretendiam traduzir.

Agora nada mais importava. Somente o corpo se entendendo com o outro corpo, os toques reconhecendo-se em outros toques, o coração pulsando de tal modo que era quase impossível respirar. Os olhos fechados de ambos, no aguardo do carinho... A mão dele envolvendo lentamente o rosto dela, esperando que dessa mulher fossem revelados os mais lindos sentimentos,  que até então permaneciam resguardados, comedidos. Os braços encerrando-se em outros braços, um lábio empurrando outro lábio, consumindo-se em amor... À noite, após o cansaço - sob estrelas, silêncio e regaços - esses dois seres extintos finalmente entenderam-se, encontraram-se...

Não existe mais nada nele que ela não reconheça; por parte dela, nenhuma tentativa de esconder uma alma que ele não desvendasse.

Não há inimigos, não há fronteiras . Apenas a maravilhosa e espetacular perplexidade do amor.



Escrito por Luciano às 23:50:39
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O AMOR EM TRÊS ATOS  

 

2º ATO

UN HOMME

Ele não cogita qualquer hipótese de prosseguir em sua vida possuindo apenas metade das emoções que costumava ter. A ausência diária de algo que não sabe identificar em seu caminho é uma de suas tantas desconfortáveis sensações.

Ele vagueia o espaço como se dele não fizesse parte, com olhos somente de espectador, percebendo a vida por um ângulo que não se pode perceber, entendendo tudo de um modo que não se pode entender.

Ultimamente passa bons tempos sob o vislumbre de reencontrar pessoas e lugares responsáveis por parte de quem hoje ele supõe ser. De cabeça baixa, consome-se tentando sentir, mais uma vez, o coração desritmado, a mão glacial, o braço enfraquecido. Mas nada ainda acontece.

Observa o outro lado da calçada, percorre antigos caminhos, morre e renasce incontáveis vezes em esquinas conhecidas. Não a vê... Nenhuma manifestação ou advertência de espasmos repentinos, amores, carinhos ou salvação. Otimista, no entanto, persiste fazendo de sua vida um palco para as grandes pulsações.

Ele bem sabe que essas sensações diversas (e adversas) não tardam a marcarem o último espaço no tempo das paixões enlouquecidas.

Braços experientes e ânimo calmo é o que quer, e os encontrará, pela primeira vez, com a mulher que buscou, sentiu e amou e que agora está prestes a conhecer.



Escrito por Luciano às 00:03:55
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O AMOR EM TRÊS ATOS  

 

1º ATO

UNE FEMME

 Sentada à porta do edifício ela aguarda um acontecimento que possa mudar a sua vida repentinamente. Mas nada acontece.
Acende o cigarro, apaga o cigarro. Encolhe os ombros e levanta a gola do casaco, esquivando-se do frio. Esconde as mãos e a coragem dentro da manga. Os cabelos lisos e extremamente escuros encobrem sua nuca, onde eles terminam . Pele branca, extremamente branca.

A temperatura em Paris caiu muito nas últimas horas, apesar de um sol das dez. Mesmo assim ela prefere ficar sentada fora de casa, observando a agitação das pessoas e os seus silêncios perturbadores. Se fizesse um pouco mais de esforço, quase poderia ouvir os pensamentos que as acometiam. Ela precisa escutar reflexões alheias, pois já não suporta mais ouvir as suas transmitindo desejos de reviravolta e incontentamentos. Quer sair da situação em que se encontra com alguma solução.

Resolve caminhar, enfim. Percorre calçadas, atravessa o gramado dos canteiros das praças, passeia entre os carros em movimento, mas nada lhe traz uma resposta para aquele incômodo intermitente, que a impede de caminhar sem que haja alguma preocupação.

Ela o está buscando, sem mesmo conhecê-lo. Por ele quer ser posta em fuga, ter a alma dominada e os caminhos determinados. Sentir-se protegida dos instantes de lucidez que nunca lhe permitem ver as pretensões do amor.



Escrito por Luciano às 22:02:04
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NOVAMENTE, OS SONHOS....

É o tempo dos rochedos e marés.

Estranha a maneira como a mulher, em sonho, lhe entrega um poema perfeito para os dois. Aquela mesma mulher que veio do nada e que ao nada retornará, e que você ainda continua a expulsá-la dos seus pensamentos.

Ela traz para você palavras que descrevem o tempo, as pedras que se chocam no espaço, os ventos, as torres, as paredes de concreto. Ela oferece partes de um todo e ainda um resto de coisas que não se misturam.

E sobre a rocha, de frente para o mar e ofuscado pela luz que ameaça a escuridão, encontra-se você, esperando as conhecidas nuvens que passam sempre rápidas demais.

De modo alheio ao seu querer, tão completamente, você se joga de novo no ventre das paixões já declaradas incansavelmente, e desse processo silente e solitário restaura, enfim, a velha problemática do coração: um certo amor que não poupou um outro amor.



Escrito por Luciano às 21:28:36
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THE CAVE OF SWIMMERS

(A CAVERNA DOS NADADORES)

Apenas o barulho do corpo deslocando a água. Somente o silêncio determinando os segundos seguintes às braçadas. O encontro do homem com o homem, dos sonhos com seus sonhos. Deveria ser sempre assim, um incansável desejo de encontrar-se consigo mesmo, ainda que por tão pouco tempo, em instantes em que a única vontade seja a de seguir adiante, sem muitas explicações.

Nada possui agora tanto significado que iniciar e encerrar um só pensamento com a calma de um nadador. Mergulhar infinitas vezes até que se volte e retome o fôlego e se tenha vontade de afundar-se, outra vez, abandonando no âmago do rio o que não era para ser lembrado.

O homem quer se encontrar com o antigo homem, mover-se sobre o fio da água, deslizando sem nenhuma ansiedade ou apreensão, sem hesitar-se ou angustiar-se de vez.

O homem quer redescobrir o antigo homem, poder ser novamente, de algum modo, como aqueles quem foram desenhados e talhados nas rochas das cavernas, com suas lanças e histórias, abandonados, por séculos, à escuridão. O Homem quer rever esse mesmo homem, reaprender com ele o tempo de se recomeçar uma jornada.

Até que a esperança o acorde e que a tempo possa ver, enfim, o que deixou de alcançar às margens dos rios que não buscou.

 

 OBS.: A pintura acima na rocha é o "Nadador" e está Localizada em WADI SORA, no platô de Gilf Kebir, Egito (próximo à Líbia).

A "Caverna dos Nadadores" foi descoberta pelo conde e explorador László Almàsy, em 1933. Almàsy talvez tenha sido o último dos exploradores românticos que se tenha notícia. Os beduínos o chamavam de "Pai das Areias", e parte de sua história pode ser vista no filme "O PACIENTE INGLÊS"



Escrito por Luciano às 01:57:24
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"Não dá mais prá negar, o mar é Deus e o barco sou eu

e o vento forte que me leva prá frente é o Seu amor...."

PE. Jonas Abib



Escrito por Luciano às 07:35:22
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PRIMEIRO, O AMOR DEPOIS, O DESENCANTO

(e o resto de nosssas vidas)

Esse é o livro de Douglas Coupland, escritor nascido numa base canadense da OTAN, em Baden-Söllingen, Alemanha Ocidental, em 61. O livro retrata a vida, angústia, medos e incertezas de jovens adultos dos anos 90. Em 8 histórias curtas o autor, que atualmente mora em Vancouver, Canadá, narra passagens de personagens que vagam em labirintos povoados por shopping centers e fast foods. Reflete o pensamento de toda uma geração criada em um mundo onde a tecnologia influencia comportamentos. Jovens com todo tipo de acesso à informação, mas sem nenhuma fé. Nada mais atual.
Um execelente convite à reflexão!

 

TRECHO DO LIVRO:

"Questiono seriamente o rumo que a minha vida tomou e reformulo incessantemente as transigências que fiz na minha vida. Tenho um emprego instável e vagamente nojeto numa companhia amoral, de modo que não tenho que me preocupar com dinheiro. Eu suporto uns relacionamentos parciais de maneira que não tenho que me preocupar com a solidão. Perdi a capacidade de resgatar os sentimentos mais puros dos meus anos de juventude em troca de uma estreiteza de espírito aerodinâmica que presumi que me levaria até o topo. Que piada!...

...Isso não quer dizer que a minha vida seja ruim. Eu sei que não é...porém a minha vida não é o que eu esperava que fosse quando era mais jovem. Talvez você mesmo consiga lidar com essa questão melhor do que eu. Talvez você tenha tido sorte o suficiente para não ter essas vozes interiores questionando você sobre seu próprio caminho - ou talvez você tenha respondido a esse questionamento e achou uma saída para o outro lado. Eu não lamento por mim mesmo de modo algum. Estou simplesmente começando a encarar o que eu sei que o mundo é na verdade.

...Às vezes me pergunto se é tarde demais para sentir as mesmas coisas que as outras pessoas parecem estar sentindo. Às vezes eu quero chegar até as pessoas e falar para elas: "O que é que você está sentindo que eu não estou? Por favor, isso é tudo o que eu quero saber."

Talvez você pense que eu preciso simplesmente me apaixonar e que talvez eu nunca tenha encontrado a pessoa certa. Ou talvez eu não tenha nunca compreendido exatamente o que era que eu queria fazer da vida, enquanto o relógio avançava. Ou seja lá o que for."

ONDE ENCONTRAR:

Arte Pau Brasil

Submarino

Cia dos Livros

Livraria Galileu

Livraria Saraiva

Livraria Cultura

Siciliano



Escrito por Luciano às 17:26:55
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Busca Frenética

Hoje acordei bem cedo e "engoli” o café antes de ir para o trabalho. Rotina. Nada além do que eu já estava acostumado a encarar. Esperando o metrô, naqueles breves instantes que antecedem a chegada dos vagões (em que eu tento imaginar se a porta de um deles vai parar bem em frente a mim ou não) é que eu páro e imagino o significado de toda a minha vida. Um flash bem rápido, não mais que isso.
O tempo que supostamente estaria perdendo, coisas que poderia fazer, o modo como ando encarando a vida e a vontade breve de minimizar os pequenos problemas cotidianos. Antes que o chacoalho do metrô me empurre de lá para cá ou que me espremam na porta, trato de me equilibrar como um malabarista, para não cair até o destino final. Vou argumentando comigo mesmo os prós e contras de se levar uma vida como a minha, às vezes repleta de meias virtudes, de meios espasmos, meias emoções. Ao cumprir o mesmo percurso cotidianamente vou me dando conta de que algo necessariamente precisa ser modificado. Nada comparado aos velhos anseios dos homens, que vislumbram a vida do insatisfeito. Nada que provoque erupções vulcânicas ou que estremeçam terras, ou que molhem essa mesma terra até que formem barro, e desse barro, um novo homem. Nada que o tire do aniquilamento ou que o salve de qualquer suposto perigo que o ameace quando vai ou volta do trabalho. Não! A mudança é mais simplificada, uma sintonia fina, quase imperceptível. Enquanto me desloco rapidamente até o centro, vou deixando as divagações – delírios mais que reais - para trás e mergulho, enfim, na realidade que teimo em não aceitar. Atravesso a rua até à calçada cinza-poluída. Entro no prédio.
Até às 18h darei conta de esquecer quem sou.



Escrito por Luciano às 11:30:08
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Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, CAMPO GRANDE, CENTRO, Homem, de 26 a 35 anos, English, French, Cinema e vídeo, Música
MSN - lucianodeaguiar@hotmail.com



BREVE RESUMO 

LUCIANO VIEIRA - Escritor, Mestre em Literatura e Estudos Culturais, Especialista em Ciências da Linguagem/Estudos Literários. Jornalista e Produtor Cultural. Produzindo textos desde 1994, há 9 anos possui o "PAPIROS".

 

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